Capítulo 43
1622palavras
2023-03-31 19:00
CAPÍTULO 43
Luana Smith
Depois de muitas tentativas, aquele senhor acabou nos deixando em paz durante toda a noite. Eu sei disso pois pelas frestas que haviam das janelas que estavam fechadas com cortinas, a gente conseguia ver o brilho do sol quando amanheceu.
Estou morrendo de dó da minha amiga Luzia, tanto eu quanto ela, amanhecemos amarradas em duas cadeiras com os braços presos para trás, e foi torturante, completamente desconfortável, o meu corpo dói todo, não conseguimos dormir praticamente nada, e ela está com uma barriga muito maior que a minha, que na verdade ainda nem aparece.
Eu nem acredito que acabei caindo nesta, e o pior é que não se trata só de mim e da Ilha, também tem a Luzia, e todas as vezes que me neguei a ligar para o Igor, também fiquei com a consciência pesada, pois acabarei deixando a minha amiga grávida a mercê desses homens cruéis.
Sinto um calafrio quando a porta é aberta e entram, aquele senhor e mais dois homens juntos... não sei porquê, mas agora sinto que as coisas estão se complicando, algo me diz que a nossa situação ainda pode piorar.
Se pelo menos a gente tivesse ficado com um dos nossos celulares, isso facilitaria muito e a gente teria dado um jeito de puxar no bolso e fazer uma ligação, mas infelizmente o meu celular acabou ficando dentro da minha mala, e o da Luzia no porta-luvas do carro.
— Chega de palhaçada! Você vai pegar esse celular e vai ligar agora mesmo para o Igor! Eu até cheguei a enviar uma mensagem para ele, o problema é que ele simplesmente me ignorou, talvez você realmente tenha razão, e não seja tão importante assim para ele. Então prove que ele realmente se importa contigo, e faça essa ligação pois além de termos que sequestrar ele também, você e a sua amiga, morrem! — Barulho de tiros.
— Eu já falei que não vou ligar!
A ilha é a minha casa, também! Eu até me casei com o Igor para que ele não mexesse na ilha, não vou fazer isso, agora! Eu não tenho medo de você! — falei na cara dele, e vi o seu rosto ficar vermelho na mesma hora, ele estava com muita raiva...
— Então você vai morrer antes dele ser capturado, é uma pena...
Eu e a Luzia nos encolhemos, com o medo que percorreu o nosso corpo, mas um barulho alto nos assustou mais, e vi que a porta que estava encostada, foi empurrada com muita força, e voltei a respirar quando encontrei o rosto familiar do Igor ali, e percebi que a minha amiga também, e começou até a chorar.
— O que pensa que está fazendo, seu velho idiota? — Igor falou e o vi dando um soco na cara do velho, que caiu no chão.
Percebi que os outros dois começaram a brigar com os outros homens, mas foquei no Igor, que segurou o velho pelo colarinho...
— Eu não vou vender a ilha para você! Aquela Ilha é a segunda cidade natal do meu filho! Se a minha esposa decidiu mantê-la, eu a manterei! E, nada do que você faça me fará mudar de ideia, seu infeliz! — ele começou a bater no homem, com vontade! Até o desmaiar, e tudo virou uma confusão, até que eles os venceram, deixando os sequestradores no chão.
Eu fiquei pasma quando ouvi as palavras do Igor! De certa forma aqueceu o meu coração saber que ele falou na frente de todas essas pessoas que somos um casal, falou do filho dele com garra e também de mim, e isso deixou o meu coração quentinho.
Eu não tinha intenção nenhuma de me envolver com ele de novo, mas devo ser uma burra por ter vontade apenas de abraçá-lo com força nesse momento, olhando ele ali mais uma vez me salvando, me fez pensar se eu não havia me precipitado na minha última decisão de sair da casa dele...
Tanto o Igor como o marido da Luzia nos soltaram daquelas cadeiras e antes que eu pensasse no que faria, senti os braços do Igor me erguendo e me abraçando com força.
— Me perdoa! Eu nunca deveria ter pensado em vender a ilha! Prometo que cumprirei com a minha promessa! — falou ele, agarrado a mim, e eu retribui.
— Obrigada! Eu também não deveria ter saído de casa sozinha, principalmente naquele horário! — disse encostada no pescoço dele.
Percebi que chegou polícia para todos os lados, então eles já foram prendendo e levando os sequestradores presos! Começaram a investigar também o local, e parece que seria fechado e logo depois derrubado, por se tratar de um local completamente tóxico.
— Venha! Vamos sair logo daqui! — ele falou, e segurou na minha mão me levando até o carro.
— Aqueles barulhos foram tiros? Vocês estão bem? — perguntei.
— Eram, mas além de serem péssimos com mira, tinham poucas balas, então não demorou muito para que a gente invadisse. — falou, enquanto íamos.
— Eu vou te levar pra casa, quero cuidar de você e do nosso bebê! Depois eu busco as suas coisas no carro da sua amiga! — ele falou, e eu concordei, não ficaria mais sozinha.
— Você está bem? Acha que precisa ir ao hospital? Como se sente? — perguntou.
— Eu só estou cansada e com fome, e também preciso de um banho!
— Certo! Deixa comigo! — ele chamou o seu assistente, e pediu para que voltasse no carro dos policiais, pois ele iria para a casa comigo, e fiquei contente que ele me colocou como prioridade desta vez, então apenas encostei a cabeça no banco, e fechei os olhos.
Fui acordada a hora que a gente chegou e ele me ajudou a descer, eu ainda estava mole e cansada por não ter dormido, então ele mais uma vez me carregou no colo até dentro de casa.
Quando chegamos na sala, avistei a Edineide que veio correndo com os olhos brilhando, me dar um beijo.
— Graças a Deus que está bem, menina! Eu fiquei tão preocupada! Se quiser ir pra minha casa...
— Com licença, Edineide! Nem sabia que ainda trabalhava aqui! — Igor falou ríspido, e me virou para me levar para o quarto, e me segurei para não rir quando vi a Edineide mostrando a língua pra ele, mas quando viu que eu estava vendo, sorriu amarelo, ela é uma graça!
Igor me levou para o quarto e me sentou na cama, começou a tirar o meu tênis, e as meias.
— Posso te ajudar no banho? — perguntou, e acenei que sim... e então tirou peça por peça da minha roupa, e me levou ao banheiro.
Ele me ajudou, lavando o meu corpo todo e os meus cabelos... Hoje ele estava mais sério e comportado, não tentou nenhuma gracinha, embora eu tenha sentido as mãos dele pelo meu corpo inteiro enquanto ele me lavava, mas isto foi sem segundas intenções, pelo menos eu acho.
Ele estava todo diferente... delicado, falando baixo, e me ajudou a me secar e a me vestir com uma camiseta e uma cueca dele, Já que as minhas coisas ficaram todas na mala. Penteou os meus cabelos e depois os secou.
Me ajeitou na cama, e saiu para buscar comida, e apareceu com uma cara diferente.
— O que foi? — perguntei.
— A Edineide não queria deixar eu trazer! — Bufou. — de certo pensou que eu comeria a sua comida! — balançou a cabeça, me fazendo rir.
— Ela se preocupa comigo! — falei.
— Falando nisto... amanhã cedo vou te levar no médico! Quero ver se está tudo bem mesmo, e fazer alguns exames, aquele local é bem tóxico, e passou por muito stress! — falou, e eu concordei, mas nem vi quando foi que terminei de comer e adormeci ali. Só sei que acordei e o Igor estava dormindo ali na cama, do meu lado.
— Bom dia! — eu disse devagar.
— Me desculpe por dormir aqui, fiquei preocupado com você aqui sozinha...
— Está tudo bem! Somos casados, não somos? — brinquei, e ele concordou.
Ele estava todo atencioso comigo, me ajudou até sentar na mesa e a me servir o café, posso até estar enganada, mas tive a impressão que ele e a Edineide estavam competindo para ver quem me servia primeiro, mas deve ser coisa da minha cabeça...
Ele me levou no doutor Harris, que assim quando me viu ficou feliz.
— Que bom que veio, Luana! Ontem o seu marido me deixou bastante preocupado! — ele falou.
— Agora estou bem, doutor! O Igor apareceu lá e me salvou! — falei, olhando sorridente para o Igor.
— Doutor, eu preciso que faça vários exames na Luana e também do bebê! Aquele lugar é muito tóxico! — Igor falou.
— Certo, mas o senhor se arriscou, não é senhor Smith? — me olhou. — Luana! Deite-se na maca, que vamos ouvir esse bebê! — o médico falou, e vi que o Igor disfarçou.
Esta foi uma consulta completamente diferente das outras, eu estava realmente relaxada e feliz, pois o Igor me acompanhou em tudo e ficou em cima para ver o que o médico estava fazendo, perguntou milhões de coisas sobre o bebê e sobre a gravidez, mal dava tempo do médico respirar e ele vinha com mais uma.
Eu me diverti com a cena, e me surpreendi ainda mais, quando o doutor Harris comentou que teve uma visão distorcida do Igor, e que agora que ele o conhecia melhor, provavelmente só falaria coisas boas sobre ele, e pensaria melhor sobre a hipótese de permanecer como o médico oficial do hospital Smith.